No meio das flores rosas, eu vi uma branca. Fiquei feliz com esse pequeno fato. Meus amigos vieram em casa, mas nada viram.
- Está ali, bem no meio, é uma flor pequeneninha.
- Tudo o que vejo ali, ó, é um punhado de alguma coisa....semente, talvez?
E eu não tirava da cabeça que ali havia uma flor branca. Digo mais: ela era mais bonita do que as outras.
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Álcool
Na saída de uma festa, um homem conversava com um menino, até surgir um comentário por parte do primeiro sobre uma moça de bota laranja que estava perto.
- Aquela ali, ó, é uma subsversiva.
Devido ao constrangimento, ela se ruborizou e esboçou um sorriso. Não disse palavra alguma.
A mãe do menino veio e o levou embora.
- Sabe, eu acho que você deve ter juízo, é, juízo. Os meus gurus espirituais me falaram de você e que você deve ter cuidado. Pilantra tem em toda a esquina. - Disse de repente o homem.
- Ah, sim, sim.
- É que...
Durante uns 30 segundos ele procurou a palavra.
- ...você deve se cuidar. Ninguém quer o seu mal. Se você quiser, siga o meu conselho. A escolha é sua. Você pode ter um ótimo caminho ou...algo que não sabemos.
- Ah.
Ela procurou alguma palavra para se mostrar o mínimo interessada, mas, diferente dele, nunca encontrou. Olhou nos olhos daquele homem que parecia saber tudo ao seu respeito, até que por fim ele arrematou:
- Você está sabendo de nada? Ninguém comentou do que o meu guru...?
- Não.
"O que eu deveria saber?", ela pensou.
Uma mulher com um vestido roxo se aproximou e disse para a menina:
- Ele já está bem legal, né?
- É.
E das três uma: ele poderia saber algo que ela não escondesse, estivesse dando um conselho por saber algo que ela não soubesse ou estivesse jogando aquelas palavras por causa do seu estado. Ela preferiu acreditar na terceira, isso tirava toda a sua culpa e a colocava em posição de segurança. Não mais de confusa, como poderia se sentir.
Esse era o seu livre-arbítrio.
- Aquela ali, ó, é uma subsversiva.
Devido ao constrangimento, ela se ruborizou e esboçou um sorriso. Não disse palavra alguma.
A mãe do menino veio e o levou embora.
- Sabe, eu acho que você deve ter juízo, é, juízo. Os meus gurus espirituais me falaram de você e que você deve ter cuidado. Pilantra tem em toda a esquina. - Disse de repente o homem.
- Ah, sim, sim.
- É que...
Durante uns 30 segundos ele procurou a palavra.
- ...você deve se cuidar. Ninguém quer o seu mal. Se você quiser, siga o meu conselho. A escolha é sua. Você pode ter um ótimo caminho ou...algo que não sabemos.
- Ah.
Ela procurou alguma palavra para se mostrar o mínimo interessada, mas, diferente dele, nunca encontrou. Olhou nos olhos daquele homem que parecia saber tudo ao seu respeito, até que por fim ele arrematou:
- Você está sabendo de nada? Ninguém comentou do que o meu guru...?
- Não.
"O que eu deveria saber?", ela pensou.
Uma mulher com um vestido roxo se aproximou e disse para a menina:
- Ele já está bem legal, né?
- É.
E das três uma: ele poderia saber algo que ela não escondesse, estivesse dando um conselho por saber algo que ela não soubesse ou estivesse jogando aquelas palavras por causa do seu estado. Ela preferiu acreditar na terceira, isso tirava toda a sua culpa e a colocava em posição de segurança. Não mais de confusa, como poderia se sentir.
Esse era o seu livre-arbítrio.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Ansiedade
Novamente, sinto aquele formigamento nos pés. Sintoma de uma ansiedade que há tempos não aparecia.
Não posso fugir disso. Juntar todas as malas que há dentro de mim e ir para outro corpo. Outra vida, outros amigos.
Limitações. E então eu vou até a linha limite, admiro-a, piso de forma hesitante.
Meus pés começam a voltar ao normal. Se eu não puder fazer tudo, farei de tudo para algo acontecer.
Nem que seja um simples sorriso.
Não posso fugir disso. Juntar todas as malas que há dentro de mim e ir para outro corpo. Outra vida, outros amigos.
Limitações. E então eu vou até a linha limite, admiro-a, piso de forma hesitante.
Meus pés começam a voltar ao normal. Se eu não puder fazer tudo, farei de tudo para algo acontecer.
Nem que seja um simples sorriso.
domingo, 21 de março de 2010
Estava encostada em uma parede em uma casa desconhecida. Mal sabia como tinha ido parar aqui. "Acho que estou na festa da amiga de uma amiga", pensei. Não me sentia intrusa, porque ninguém me percebia. As pessoas passavam e apenas algumas me sorriam. Não me importava. Mas para falar a verdade, o que importa é o que todos fingem não se importarem.
Fui pegar algo para beber e voltei. À minha casa, claro. Sai, enquanto todos cantavam "parabéns".
Domingo. Acordo às 11:34. Foi apenas um sonho. Sem importância.
Fui pegar algo para beber e voltei. À minha casa, claro. Sai, enquanto todos cantavam "parabéns".
Domingo. Acordo às 11:34. Foi apenas um sonho. Sem importância.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Andávamos por uma rua vazia em uma noite de lua cheia. Eu sabia que não deveria ser a primeira falar, mas quis acabar com aquele silêncio constrangedor. Silêncio esse que falava por nós. E eu precisava ser dona das palavras.
Me virei, então, e ela fez sinal para que eu permanecesse quieta.
- Só me diga: quando? Ela disse.
- Em breve, em breve.
Me virei, então, e ela fez sinal para que eu permanecesse quieta.
- Só me diga: quando? Ela disse.
- Em breve, em breve.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A velocidade com que o ônibus andava já vinha assustando os passageiros, uns 50 km/h acima do que é permitido. Um cachorro que passava por ali quase foi atropelado por isso.
- Em um momento de pressa, não pensamos nos outros! Gritou a passageira sentada atrás do motorista.
Se isso tinha sido uma acusação ou uma defesa, ninguém entendeu de imediato.
Devido as possíveis consequências, o motorista foi gradualmente diminuindo a velocidade.
Marisa, a passageira que falou, olhou para o seu lado e viu uma vítima para as suas histórias.
- A senhora vai descer em breve?
- Não, só no ponto final. Por quê?
- Nada não. Sabe, presenciei um fato horrível, também com cachorros.
- Hm...Mas isso que acabamos de ver não acabou mal. Por sorte!
- Verdade, quisera eu que sempre fosse assim...Vou te contar...
E assim se estendeu a conversa, sem que a ouvinte pudesse escapar:
- Havia um cara que estava trabalhando no transporte de carga, lá na minha rua. Ele tinha um Yorkshire que mantinha sempre dentro carro. Perguntei a uma amiga se ela sabia o motivo e ela me disse que ele preferia o carro à casa.
- Mas a casa é bem melhor! Disse a ouvinte, mostrando-se interessada.
- Pois é. Resolvi ir conversar com ele. Caso sua casa estivesse em reforma ou algo assim, me ofereceria para ficar com o cachorro. Na minha casa tem um jardim e um quintal. Assim, cada cachorro ficaria em um lugar, pois eu tinha uma Rottweiler. Porém, um dia ao tirar o cachorro do carro para levá-lo ao quintal, a coleira desprendeu. Ele entrou no jardim onde estava a minha Laise. Ela correu atrás dele e o pior aconteceu.
- Meu Deus!
- Ah...me lembro tão bem! A pior cena que eu presenciei.
- Calma, mas a sua cachorra não teve culpa, pelo menos. Foi uma infelicidade, não nego.
- A senhora ainda não ouviu o fim. O dono ficou tão ou mais espantado do que eu. Sacou um revólver que trazia na cintura e atirou em Laise. Fiquei sem reação!
Marisa desatou a chorar.
- Oh, acalme-se...
Após enxugar as lágrimas, retomou:
- Um mês depois recebi uma carta do dono. Antes de abrir, imaginei que fosse um pedido de perdão.
- E não foi?
- Muito pelo contrário. Ele pedia o pagamento de um Yorkshire, que ele havia comprado para substituir o perdido.
- Que absurdo!
- Se ele amava tanto o cachorro, por que deixava ele dentro do carro?
- É...
Marisa olhou pela janela e disse:
- Chegamos, obrigada por me ouvir.
- Ah, foi nada. Não digo que adorei a história, porque ela é muito triste.
Se despediram e desceram. Enquanto a ouvinte se distanciava, Marisa ouviu chamarem seu nome.
- Oi?
- Sou eu, César, lembra de mim? Disse o motorista.
- Como poderia me esquecer?
- Ouvi você falando de mim no ônibus. Não sou cruel como você disse. Fiquei atordoado com a morte de Josie.
- Não justifica. Quis transferir o seu sofrimento para mim?
- De modo algum. Estava apenas fazendo justiça.
- Ah, por favor, César! Você é cego ou julga muito mal. O que dá na mesma. Se for ou não pedir muito, licença, tenho mais o que fazer.
Virou-se e partiu, sem saber a real finalidade daquela conversa. E pensando o quão zombador era o destino por a deixar frente a frente com ele...
"Se ele quisesse meu perdão, teria pedido. Mas percebi que ele ainda acha ter razão. Coitado!"
Nesse dia, conseguiu fazer a adoção de 3 animais em seu canil. Acreditanto, sempre, que os novos donos iriam destinar tanto amor quanto ela.
- Em um momento de pressa, não pensamos nos outros! Gritou a passageira sentada atrás do motorista.
Se isso tinha sido uma acusação ou uma defesa, ninguém entendeu de imediato.
Devido as possíveis consequências, o motorista foi gradualmente diminuindo a velocidade.
Marisa, a passageira que falou, olhou para o seu lado e viu uma vítima para as suas histórias.
- A senhora vai descer em breve?
- Não, só no ponto final. Por quê?
- Nada não. Sabe, presenciei um fato horrível, também com cachorros.
- Hm...Mas isso que acabamos de ver não acabou mal. Por sorte!
- Verdade, quisera eu que sempre fosse assim...Vou te contar...
E assim se estendeu a conversa, sem que a ouvinte pudesse escapar:
- Havia um cara que estava trabalhando no transporte de carga, lá na minha rua. Ele tinha um Yorkshire que mantinha sempre dentro carro. Perguntei a uma amiga se ela sabia o motivo e ela me disse que ele preferia o carro à casa.
- Mas a casa é bem melhor! Disse a ouvinte, mostrando-se interessada.
- Pois é. Resolvi ir conversar com ele. Caso sua casa estivesse em reforma ou algo assim, me ofereceria para ficar com o cachorro. Na minha casa tem um jardim e um quintal. Assim, cada cachorro ficaria em um lugar, pois eu tinha uma Rottweiler. Porém, um dia ao tirar o cachorro do carro para levá-lo ao quintal, a coleira desprendeu. Ele entrou no jardim onde estava a minha Laise. Ela correu atrás dele e o pior aconteceu.
- Meu Deus!
- Ah...me lembro tão bem! A pior cena que eu presenciei.
- Calma, mas a sua cachorra não teve culpa, pelo menos. Foi uma infelicidade, não nego.
- A senhora ainda não ouviu o fim. O dono ficou tão ou mais espantado do que eu. Sacou um revólver que trazia na cintura e atirou em Laise. Fiquei sem reação!
Marisa desatou a chorar.
- Oh, acalme-se...
Após enxugar as lágrimas, retomou:
- Um mês depois recebi uma carta do dono. Antes de abrir, imaginei que fosse um pedido de perdão.
- E não foi?
- Muito pelo contrário. Ele pedia o pagamento de um Yorkshire, que ele havia comprado para substituir o perdido.
- Que absurdo!
- Se ele amava tanto o cachorro, por que deixava ele dentro do carro?
- É...
Marisa olhou pela janela e disse:
- Chegamos, obrigada por me ouvir.
- Ah, foi nada. Não digo que adorei a história, porque ela é muito triste.
Se despediram e desceram. Enquanto a ouvinte se distanciava, Marisa ouviu chamarem seu nome.
- Oi?
- Sou eu, César, lembra de mim? Disse o motorista.
- Como poderia me esquecer?
- Ouvi você falando de mim no ônibus. Não sou cruel como você disse. Fiquei atordoado com a morte de Josie.
- Não justifica. Quis transferir o seu sofrimento para mim?
- De modo algum. Estava apenas fazendo justiça.
- Ah, por favor, César! Você é cego ou julga muito mal. O que dá na mesma. Se for ou não pedir muito, licença, tenho mais o que fazer.
Virou-se e partiu, sem saber a real finalidade daquela conversa. E pensando o quão zombador era o destino por a deixar frente a frente com ele...
"Se ele quisesse meu perdão, teria pedido. Mas percebi que ele ainda acha ter razão. Coitado!"
Nesse dia, conseguiu fazer a adoção de 3 animais em seu canil. Acreditanto, sempre, que os novos donos iriam destinar tanto amor quanto ela.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Às vezes, você me olha como se soubesse de algo que eu não pudesse saber. E até o seu sorriso me leva a crer isso. O que foi dito antes de eu chegar deve ter relação comigo. São apenas suposições do que parece estar acontecendo.
Há outros momentos que eu também me sinto assim. Aquela vez que todos riram quando eu estava séria é um deles.
Nem sempre estamos no compasso dos demais. Eu posso ter vários motivos para me alegrar, enquanto você não. Mas vamos levando o nosso barco.
Se ficarmos sem o remo, podemos ainda não estar perdidos.
Há outros momentos que eu também me sinto assim. Aquela vez que todos riram quando eu estava séria é um deles.
Nem sempre estamos no compasso dos demais. Eu posso ter vários motivos para me alegrar, enquanto você não. Mas vamos levando o nosso barco.
Se ficarmos sem o remo, podemos ainda não estar perdidos.
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